Um ensaio sobre o ‘homem-robô’ que as empresas buscam…

Para quem está saindo da universidade, o mundo começa ter um aspecto mais desafiador para realização concreta daquilo que foi apenas teoria durante o tempo de estudos: A realização do  “humano laboral”. A existência é marcada pelo trabalho e a corrida do homem é carimbada pelo sucesso ou fracasso daquilo que ele faz. Atestada, carimbada, certificada e cravada ainda mais, pelas redes sociais.

A pergunta mais comum dentro das relações humanas é formulada a partir daquilo que você faz. No fundo aquilo que você faz é aquilo que te define. Somos constantemente cobrados de ter um bom trabalho e de ter sucesso, basta olhar para os sites de carreiras profissionais e perceberá logo pela formatação dos perfis quem é quem. As redes sociais para mercado de trabalho estão cada vez mais sofisticadas.

O homem é um ser que constantemente deseja realizar-se. O momento quase que crucial para começar a pensar na realização de seu “Ethos” (termo filosófico para dizer o conj. de costumes e hábitos fundamentais, valores etc..) é exatamente aquele entre a universidade e o mercado de trabalho. Assim, uma jornada em busca do LUGAR IDEAL, onde mais poderá aproximar suas realizações, seus valores, sua ética, é empreendida.

Pesquisas na área da psicologia e RH, apontam que salário é um fator motivador colocado em segundo plano quando comparados com estabilidade por exemplo. Outros fatores como autonomia, conhecimento gerado pela atividade desenvolvida, bons relacionamentos, empreendedorismo geram motivações mais genuínas que apenas o fator financeiro. Salário, posses, poder (não dito desta maneira mas travestido pelo cargo) ou não são mencionados ou quando feito, fica relegado a planos inferiores.  Talvez Nietzsche diria que esta resposta é fake, já que em geral as pessoas apenas copiam comportamentos, perdendo ou não possuindo originalidade na resposta para não ser diferente, mas aqui vamos supor serem verdadeiras as respostas dadas.

Não é difícil entender que salário possa ser menos importante que ter bons relacionamentos dentro da empresa, já que passamos a maior parte dentro dela e o tempo todo temos que nos relacionar com outros. Relacionar-se pressupõe estar bem com meu colega ou odiá-lo.

Estamos no séc. XXI e a tecnologia faz parte de nossas vidas como o próprio ar que respiramos. As empresas possuem PROCESSOS, são organizadas, tem hierarquias, são bem equipadas com máquinas e softwares. Apesar de tantos avanços, há um fator sendo esquecido há muito, pelas empresas: o fator HUMANO.

A corrida pela eficácia e pela rapidez de se fazer negócio e gerar lucros faz com que as empresas desejem o “humano-robô’ perfeito para executar suas tarefas sem se colocar os problemas inerentes a ele: emoções, predisposições para chefias, capacidade de lidar com outras pessoas e assim por diante.

As grandes disputas acerca de cargos nas empresas são verdadeiras batalhas épicas: quantos títulos possui? Estudou pós? MBA? English? Spanish? Sabe escrever bem? Morou em outros países?  Positivo? O cargo é seu.

Ah, ele respondeu nos questionários do RH que é excelente nas relações interpessoais e isso basta. Os cargos são preenchidos na maioria das vezes pela quantidade de títulos, fato, mas aqui a crítica quer atingir um degrau acima que é muitas vezes o inferno criado por alguém eleito para um cargo, por causa de seus títulos, e a pouca importância dada ao fator “preparo real para lidar com pessoas”. “O candidato possui aquele estado de espirito de líder onde não coloca a culpa noutro mas em si mesmo porque é bem resolvido e tem consciência do papel que exerce?”

O tecnicismo muitas vezes se sobressai ao conjunto de atributos interpessoais numa pessoa – quando ela os possui – difíceis de ser percebidas,  e está disputando uma vaga.  – Ora, mas é o PROCESSO. Exatamente isso, o processo. Processos que dependem 100% de PESSOAS interpreta-los dar-lhes vida. Se as pessoas escolhidas estiverem aquém da percepção das coisas, o processo serve para ser o culpado das áreas não funcionarem. Isso porque o PROCESSO se torna quase uma ‘entidade’ a quem podemos responsabilizar.

Nosso mundo e nossas empresas fabricam ‘culpados’ o tempo todo. No caso do chefe  que foi eleito para o cargo porque possuía os títulos adequados e suas habilidades interpessoais não foram testadas, provavelmente sempre terá um subordinado para colocar a culpa. Aqui começam os infernos pessoais e a não realização dos ethos pretendidos por aqueles que acreditam nas entidades mantenedoras de seus “status quo”.

Termino citando Nietzsche: “A verdade e a mentira  são construções que decorrem da vida no rebanho e da linguagem que lhe corresponde. O homem do rebanho chama de verdade aquilo que o conserva no rebanho e chama de mentira aquilo que o ameaça ou exclui do rebanho. […] Portanto, em primeiro lugar, a verdade é a verdade do rebanho.”

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